terça-feira, 27 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
MACAPI e AMALGAMA apresentam no Espaço Tertúlia na Quinta Mágica de Mafra
30 de Outubro

Baba Yaga representa a Deusa Negra, aquela que vive no profundo dos bosques e como mulher selvagem que é fala intimamente com os animais, dança nua à chuva, viaja por caminhos que ela mesma faz e expressa a sua alegria pura e exuberante apenas para agradar a si mesma.
Certo dia chega uma menina-mulher e é ela quem desfaz a sua solidão. Wassilissa era o seu nome e a sua imagem reflectida, o seu oposto íntegro e verdadeiro.
Baseado no conto russo “Wassilissa- a boneca de bolso”, encontramos aqui uma wassilissa mais velha, que já não precisa de bonecas pois a sua intuição está viva dentro dela. Trata-se da estória de uma iniciação em que “a mulher que sabe” ( a guardiã do fogo criativo), ensina a sabedoria dos ciclos de vida-morte-vida das coisas. Num ritual de afinidade com os ancestrais através da transmissão da sabedoria dos hábitos da velha mãe no espaço de tempo que vai de um Outono a um Verão. Para que saibamos chamar o nosso fogo para avivar a chama sagrada!
Estas são portas que se abrem para o mundo da simbologia, de um sagrado arquetípico, em que uma cabana não é apenas uma cabana…e assim se recupera a força dos antigos conhecimentos:
Ficha Técnica e Artística
Ideia e Projecto: Sofia Ferreira
Adaptação: Sofia Ferreira
Construção das Marionetas: Isabel Silva e Sofia Ferreira
Cenografia, figurinos, adereços: Isabel Silva e Sofia Ferreira
Interpretação e Manipulação: Isabel Silva e Sofia Ferreira
Música : Tiago Simões
Duração: 30m aproximadamente
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Babayaga e Wassilissa na Fogueira do Andanças
Aconteceu finalmente;
BabaYaga & Wassilissa na Fogueira, foi o nosso baptismo de fogo no Andanças, afinal foi dia 7, numa noite mágica em que nos deixamos levar pelo improviso desta história que nos acompanha há 2 anos... o mágico é que sempre desejámos estrear ou dar o primeiro passo, na Fogueira do Andanças... e assim foi... na companhia de uma lua maravilhosa, um mágico contador de histórias, o tocador ressonante, o homem do fogo e um público tranquilo...
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Dia de Baba Yaga
Descobri que aYaga tem um dia comemorativo...
DIA 20 DE JANEIRO
- DIA DE BABA YAGA
Esta deusa búlgara é a deusa da morte e renovação. Muitas vezes precisamos deixar algo partir para um novo renascer.
Acende uma vela escura e invoca BabaYaga. Pede-lhe que as coisas velhas e pesadas se vão embora e que abra caminhos para as coisas novas e boas da tua vida.
BABA YAGACaminho pela floresta e falo intimamente com os animaisDanço descalça na chuvaDanço nuaViajo por caminhos que eu mesma faço e da maneira que me convémMeus instintos e meu olfato são aguçadosExpresso livremente minha vitalidade minha alegria pura e exuberantepara agradar a mim mesma porque é natural, é o que tem de serSou a selvagem e jubilosa energia vitalVem e junta-te a mim
Baba-Yaga é uma velha, muito velha, que vive numa cabana sobre pés-de-galinha. Ela alimenta-se de ossos humanos moídos em seu pilão, mas há quem diga que também come criancinhas com seus dentes de ferro. E voa dentro de um almofariz de prata, muito veloz.
Contam ainda que o rastro de cinzas que deixa pelo céu, rapidamente a danada vai apagando com sua vassoura.
Importante figura no imaginário do povo russo, Baba-Yaga está presente em muitos contos tradicionais, no caminho de Vassilissa, a bela, ou do destemido Príncipe Ivan, como nas bilinas (narrativas em verso) de grandes poetas românticos, entre eles, Gogol, Puchkin, Liermontov.
Igualmente na música clássica daquele país, alguns compositores se dedicaram a fazer-lhe um "retrato sonoro": temos três poemas orquestrais com Dargomíshky, Balakirev e Liadov; ela também aparece na suíte Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, e no Álbum para Crianças, de Tchaikovsky. Talvez, a primeira antologia de literatura russa de tradição oral, que o público de língua portuguesa teve acesso, fora feita por Alfredo Apell, nos idos da
década de 1920. No Brasil, a bruxa aparece na história de encantamentos "A princesa-serpente", na coletânea Contos populares russos organizada por J. Vale Moutinho (Nova Crítica, 1978 e Princípio, 1990), mas coube à escritora Tatiana Belinky o resgate mais bem divulgado como literatura para crianças: a velha Yaga e a magia das skáskas (narrativas maravilhosas) estão em Sete contos russos (Companhia das Letrinhas, 1995).
Mais recentemente, foram publicados, em três volumes, os Contos de fadas russos, organizados
por Aleksandr Afanas'ev, a partir de 1855, com o título Narodnye russkii skazki, base destes trabalhos e outras formas adaptadas (Landy, 2002 e 2003).
Quase sempre, Baba-Yaga é a temível bruxa, a malvada, la maliarda.
Às vezes, ela parece ser apenas uma grande conselheira ou aguardiã de muitos segredos, moradora da escuridão numa densa floresta. Sob esta faceta, Baba-Yaga seria assim como a representação da Mãe-Natureza, igualando-se às antigas deusas, uma divindade com poderes sobre a vida e a morte porque rico em mistérios é seu perfil. Contudo, nossa maneira apressada de encarar as realidades imaginárias acomodou-se sobre a lógica a dividir o mundo em partes e posições irreconciliáveis. Quando se pensa em bruxas, evocam-se as fadas e uma eterna rivalidade, ou seja, a luta entre o Bem e o Mal.
Ora, a designação "bruxa" dada às velhas sábias surgiu muito antes do cristianismo lançar sua caça à elas, e referia-se a uma casta de sacerdotisas de um sistema religioso antigo e diferente,
com caracteres próprios ao paganismo: uma religião de culto à Terra. Durante a baixa Idade Média (até meados de 1400), as bruxas eram tidas em consideração pelos campônios, aldeões e demais homens das vilas. A bruxaria era, para o Clero e a Coroa, uma simples superstição e, de modo algum, estava associada aos poderes do Mal.
Reconhecidamente, as velhas que prestavam serviços para toda a comunidade na condição de parteiras, curandeiras, conselheiras, eram bruxas. Acreditava-se (uma tradição que ainda hoje se mantém) que essas mulheres tinham poder e influência sobre o corpo de outras pessoas e podiam curar doenças, bem como havia a crença de que sua magia e outras formas de projeção podiam favorecer a boa colheita.
Com suas ervas milagreiras, a antecipação do futuro e outras simpatias, as bruxas eram respeitadas. A Medicina era ainda uma ciência incipiente, atendendo prioritariamente às camadas mais altas da sociedade medieval, como a nobreza e o clero; mesmo assim, os resultados a que chegava eram menores e mais incertos que os milagres operados pelas velhas sábias do povo.
No entanto, com a crise que a igreja medieval enfrentou junto às classes populares, as bruxas acabariam por cair em desgraça.
Política e religião uniram forças e passaram a difundir novas imagens e idéias a respeito do curandeirismo e outras superstições relacionadas às velhas. Tornaram-se agentes do Mal, foram demonizadas dentro dos tribunais, em oposição a um sistema que representava a visão do Bem. Como portadoras de uma maldição divina, as bruxas se transformaram ideologicamente em consortes do próprio Diabo — ao mesmo tempo em que, na iconografia da época, o anjo soberbo ganhava novos contornos, assemelhando-se ao traçado animalesco e profano do antigo deus Pã. Fora criado igualmente o conceito de sabá, a grande festa orgíaca em que a devassidão, a gula e a beberagem tomavam a cena, gerando terror e histerismo entre o povo.
O velho conselho de uma bruxa não continha mais sabedoria, tornou-se um maledicente sussurro como um vento sequioso, frio e corruptor. E, entre os véus e alguma penumbra da fantasia, surgiram voláteis fadas, numinosas entidades, obrigando as mulheres-bruxas a esconderem-se em refúgios cada vez mais ermos. Os contos populares de magia são pródigos nas imagens do sítio abandonado, da alta torre, do castelo debaixo da montanha ou imerso no mar, como a casa perdida no meio da floresta em que ninguém ousa penetrar.
Vassilissa, a Formosa, andou e andou, e só ao entardecer do dia
seguinte ela chegou à clareira onde ficava a cabana da Baba-Iagá.
A cerca em volta dessa isbá era toda feita de ossos humanos,
encabeçados por crânios espetados neles, com olhos humanos nas
órbitas. E o trinco do portão era uma boca humana cheia de dentes
aguçados. E a casinha era construída sobre grandes pés de
galinha. (Belinky 1996: 25-6)
Longe do convívio humano, Baba-Yaga tem o domínio pleno e solitário da floresta, suas árvores e as sombras, revelando-se como uma das manifestações do arquétipo feminino da Grande-Mãe, com quem, em última instância, todos buscam um consolo ou ajuda.
O encontro de Vassilissa com ela guarda certas semelhanças com uma versão primitiva pouco conhecida do conto de O Chapeuzinho Vermelho, que remete não apenas a um rito de passagem, mas à transmissão de poderes da mulher velha para a jovem (Kaplan, 1997).
É necessário um período de convivência naquela cabana e abandonar os temores e a curiosidade infantis, para que uma nova aprendizagem se estabeleça.
É ilustrativo o diálogo com Vassilissa, a respeito dos três cavaleiros que a menina vira passar (o branco, o rubro e o preto), quando se dirigia à cabana sobre pés-de-galinha. A velha responde que eles respectivamente são "meu dia, minha tarde, minha noite".
Não poderia se expressar de outra maneira, não fosse a verdadeira senhora da passagem do tempo. "Podemos chamá-la de Grande Deusa da Natureza", afirma Marie-Louise von Franz, mas "obviamente, com todos esses esqueletos em volta de sua casa, ela é também a Deusa da Morte, que é um aspecto da natureza" (1985: 208). Baba-Yaga compreende igualmente os dois mistérios extremos da Vida, o nascimento (criação) e a morte (destruição).
A Grande Mãe nem sempre é Boa Mãe. Na escala grandiosa, o seu aspecto negativo, devorador e asfixiante, denomina-se a Mãe Terrível [...] Nos mitos, aparece como a mãe devoradora que come os próprios filhos. Conhecemo-la como a cruel Mãe Natureza, que procura repossuir toda a vida — toda a civilização — com a finalidade de colocar tudo de novo dentro do ventre primevo. Como terremoto, abre literalmente o ventre para sugar o homem e suas criações de volta a si mesma. (Nichols 1995: 105)
Além de suas qualidades dóceis e férteis, o arquétipo da Grande-Mãe simboliza a destruição necessária para uma nova ordem. O sorriso malévolo de Baba-Yaga pode ser comparado com
inúmeras representações de um tipo de mãe-fera, como é o caso da deusa Kali da tradição hindu. Sedenta de sangue, Kali pode surgir inesperadamente diante de seu expectador com a língua vermelha estirada para fora — antevendo o prazer da devoração.
Do bosque saiu a malvada Baba-Iaga. Viajava dentro de um almofariz e
segurava na mão o pilão e a vassoura.
— Cheira-me aqui a carne humana! — suspeitou a terrível
bruxa.
Vassilissa estava tão aterrorizada que se sentiu desmaiar. Tudo em
volta era sinistro e Baba-Iaga tinha um ar ameaçador. Mas resolveu
encher-se de coragem. Já que ali estava, pelos menos ia tentar a
sorte e pedir ajuda àquela horrível bruxa. Assim, aproximou-se da
velha, inclinou-se e disse:
— Olá, avozinha! As minhas irmãs mandaram-me vir ter contigo,
para te pedir lume. (Beliayeva 1995: 81)
Quando nos depararmos com o temível, ou mesmo com o nariz e as rugas de Baba-Yaga, intimamente sabemos algo de sua força e sua ancestralidade mágica.
Tratá-la com respeito é o primeiro passo para conquistar respeito em troca. Quando Vassilissa encara a feiticeira com sinceridade, sem soberba ante o perigo, assegura as chances para uma cumplicidade e convivência pacífica com a velha. Não cair em sua ira devoradora significa ter acesso aos conhecimentos dessa potestade arquetípica. Durante a estadia na isbá da bruxa, há de recuperar essa memória, os segredos de quem sabe ouvir a música das correntezas subterrâneas. Ao mesmo tempo em que vai demonstrando sinais de afeição, a menina reconhece na outra o saber, ainda que inconsciente, na verdade é seu. Afinal, que imagem o espelho de seus olhos refletirá?
Enquanto Baba-Yaga jantava, Wassilissa ficou ali perto, silenciosa.
Baba-Yaga disse: "Por que é que você está me olhando sem dizer
nada? Você é muda?"
A menina respondeu: "Se pudesse, gostaria de lhe fazer algumas
perguntas."
"Pergunte", disse Baba-Yaga, "mas lembre-se, nem todas as perguntas
são boas. Saber demais envelhece!" (von Franz 1985: 206)
A honestidade que a busca espiritual exige de nós é ilustrada nos contos russos de iniciação sobre Baba Yaga. Baba Yaga é uma velha de aparência selvagem que mora no meio da floresta, está sempre mexendo o caldeirão e sabe de tudo. Ela assusta, pois quem a procura é obrigado a entrar na escuridão, a fazer perguntas perigosas, a deixar o mundo da lógica e do conforto.
Quando, empenhado na busca, o primeiro jovem chegou tremendo à porta
de sua cabana, Baba Yaga perguntou: "Você está aqui por conta
própria ou foi mandado por alguém?" Como a família do jovem
apoiava sua busca, ele respondeu: "Fui mandado pelo meu pai." No mesmo
instante, Baba Yaga o jogou no caldeirão e o cozinhou. A segunda
pessoa a procurá-la, uma moça, viu o fogo crepitando e ouviu a
risada de Baba Yaga. Novamente, Baba Yaga perguntou: "Você veio por
conta própria ou foi mandada por alguém?" Essa jovem tinha ido
para o bosque sozinha em busca do que encontrasse. "Vim por conta
própria", respondeu ela. Baba Yaga a atirou no caldeirão e a
cozinhou também.
Mais tarde, um terceiro visitante, uma moça profundamente confusa
diante do mundo, chegou à casa de Baba Yaga no meio da floresta. Ela
viu a fumaça e percebeu o perigo. Baba Yaga a encarou: "Você veio
aqui por conta própria ou foi mandada por outra pessoa?" A jovem
respondeu com sinceridade: "Em parte vim por conta própria, mas em
parte vim por causa de outras pessoas. Em parte vim porque você
está aqui, por causa da floresta e por causa de alguma outra coisa
que esqueci. E em parte nem sei por que vim." Baba Yaga ficou olhando
para ela por um momento e disse: "Você serve." E a convidou para
entrar na cabana.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Boas Festas! Saídas e Entradas...
A roda do ano gira sem parar e aqui estamos nós.... mais um Inverno, um Natal, uma passagem de ano e num instante um Carnaval... gira o tempo, gira a vida e nós crescemos, amadurecemos, aprendemos constantemente a cada despertar.
É bom haverem datas específicas para as comemorações, mas é positivo ter esses valores presentes em cada dia.
Porquê esperar pelo Natal para se lançarem grandes campanhas de solidariedade quando deveria ser um acto natural e consciente?
A lista dos porquês é interminável.
A mudança é inevitável, está ao alcance de cada um, basta conseguir ver o simples e tranquilo que surge quando todos os seres se juntam por algo.... quando simplesmente nos sentamos numa planície e nos encantamos com a paisagem, com o sopro do vento.
Damos tanta importância àquilo que inventamos e deixamos ao lado, aquilo que nos dá a vida e preenche.
Se cada ser for consciente por si então o mundo será consciente.
É tempo de mudar, chega a hora de transformar.
"O Natal é uma festa de amor onde todos dão as mãos e aquecem o coração.
O Natal é igualdade.
Solidariedade é uma bela amizade que se abraça á razão."
O desejo de um Feliz Natal na companhia daqueles que vos acompanham, de todos os que fazem parte do caminho.
O desejo de uma noite mágica onde a consciência desperta no centro do coração e a alegria surge leve levemente.
Bons momentos, bons passeios, boas visitas, viagens... um pacote inteiro de sonhos... basta sonhar.
Boas saídas de um ano cheio de bagagem, ensinamentos, erros, alegrias, lições de vida, coincidências que despertam a consciência.
Boas entradas num novo ano, estarmos dispostos a mudar é o primeiro passo para uma nova sequência.
Sermos seres mais fluidos, mais leves, mais harmoniosos onde a partilha é a festa de cada dia.
Em equilíbrio numa roda que não pára de girar.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
BabaYaga & Wassilissa está em fase pausa neste momento... em fase interna...
Com a Festa da Partilha experimentámos uma hora conto... a Sofia que fez a adaptação e apresentou o projecto ao MACAPI, abordou a história durante a festa em arte contadeira como hora do conto...


S dissemos que este espectáculo não seria concebido como mais um espectáculo de teatro... e sim com o seu tempo necessário, seguindo o seu ciclo natural, o nosso ciclo... os ciclos do ciclo...
Com a Festa da Partilha experimentámos uma hora conto... a Sofia que fez a adaptação e apresentou o projecto ao MACAPI, abordou a história durante a festa em arte contadeira como hora do conto...

No fim da festa, em momento intimo e próximo, ao som de melodias que movem o corpo... as nossas BabaYaga & Wassilissa movimentaram-se pelo espaço na companhia de duas amigas dançantes e narrou-se em movimento de corpo um pouco da história destas duas mulheres sem tempo nem idade...
Nesta fase tranquila... a Sofia foi para o México aprofundar raízes, sentimentos e conhecimentos... e o MACAPI ficou por cá em estado de ponte, terminando a cenografia e afins para que se possa apresentar este... mais que espectáculo... este momento de magia da mulher selvagem...

Diverte-te Sofia... cá te esperamos ;-)
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